Encontramos a estos mensajeros: Gabriel en la Anunciación (Le 1,26), un ejército celestial en el nacimiento de Jesús (Le 2,13), ángeles al servicio de Jesús después de las tentaciones en el desierto (Mt 4,11), un ángel que le reconforta en el huerto de los Olivos (Le 22,43) y aquel o aquellos que hablan a las mujeres en el sepulcro abierto (Le 24,4). Del mismo modo en los Hechos de los Apóstoles (5,19; 12,7, etc.). El Apocalipsis hace de Miguel y de su ejército celestial un importante actor durante el combate final contra el Dragón, Satán (Ap 12,7). La única definición bíblica de los ángeles se encuentra en la carta a los Hebreos: «¿No son todos ellos espíritus encargados de un ministerio, enviados para el servicio de los que han de heredar la salvación?» (Heb 1,14).
El símbolo de Nicea-Constantinopla afirma indirectamente la existencia de los ángeles: «Creo en un solo Dios, creador del cielo y de la tierra, de todo lo visible y lo invisible». La fe de la Iglesia afirma que Dios ha creado estos seres espirituales invisibles y que les ha dado la libertad de elección, como al hombre. Los ángeles caídos, siguiendo a Satán, rechazaron servir a Dios y se convirtieron en fuerzas de destrucción, destinadas al aniquilamiento final. (50 Palavras da Bíblia)
Os anjos outrora eram mais ambíguos e ambivalentes, e tradicionalmente seus papéis nem sempre foram confortadores ou protetores em relação a nós. Mas nos servem por muitos motivos, sobretudo porque, como nós, sofrem (e representam) um problema de atraso: não são seres originais. Mal conseguem entrar na Bíblia hebraica; quase nunca pelo nome, e já observei que frequentemente são substitutos criados pelos redatores para aparecimentos ousadamente humanos do próprio Deus, Javé, na mais antiga versão do texto bíblico.
A Bíblia pré-exílio é em grande parte o Livro do Rei Davi, que sutilmente domina o texto Javístico inicial, onde no entanto ele jamais é mencionado, pois o texto abrange a história desde a Criação até a entrada em Canaã. A corte de Davi era essencialmente uma sociedade militar, com o rei-herói presidindo seus homens poderosos e um ou dois profetas admonitórios. Na era seguinte, de Salomão, uma corte altamente culta cercava o monarca, que administrava uma sociedade comercial, urbanizada e relativamente em paz, mas ainda localizando seu ideal no carismático Davi. Qualquer que tenha sido o seu poder de fato, Salomão não parece ter adotado toda a panóplia de despotismo médio-oriental antigo, com todas as suas burocracias hierárquicas. Mas na Babilônia os judeus viram o que devia ser uma imensa e complicada corte real, cuja estrutura refletia a suposta hierarquia do céu. Deus, após o exílio babilônico, reina sobre um cosmo de ordens angélicas, e não é mais o solitário deus-guerreiro, Javé, que empregava um punhado de Elohim como seus mensageiros e agentes. Da Babilônia vieram não só nomes angélicos, mas anjos burocratas, príncipes e funcionários.
Formaram-se lendas judaicas sobre a ideia de que os anjos foram feitos no segundo dia da criação, e não no primeiro. Implícita nessas lendas está uma polêmica contra os hereges gnósticos judeus, que desejavam atribuir a criação mais aos anjos que a Deus, insinuando assim uma falha nas origens. O que parece claro é que não pode haver uma história definitiva ou exemplar dos anjos. Vagos no texto bíblico, eles surgem mais cruamente nos dias pós-bíblicos e rondam a época de agruras que foi a matriz do cristianismo. A literatura apocalíptica de mais ou menos 200 A.E.C, a 200 E.C. é o verdadeiro domínio dos anjos, e está ligada a Enoque. (Excertos de Harold Bloom, "Presságios do Milênio")